Desapego
Das dunas mirava o imenso azul.
Perdia-se na contemplação.
A brisa em seus cabelos
tocava a música da ilusão.
Sonhava acordada,
dormindo vivia
o sonho sonhado.
Descalça,
sentindo a água gelada
beijar suas pernas,
olhava para o infinito,
esquecendo as pegadas
apagadas na areia.
Abandonava aos poucos
as agruras da vida,
anestesiava os sentimentos,
as emoções.
A beleza de não ser tão jovem
é a compreensão sobre a impermanência.
O desapego dói e cura,
é o lenitivo da mulher madura.
